I
A abelha brinca em meus cabelos. Hoje a flor sou eu..
II
A estrela risca no céu um código de luz. Tangenciou a atmosfera. Desfiou o manto de Nyx. Estrela descuidada.
III
Écuba, oh velha Empresta-me teus ombros mitológicos.
Os meus são humanos demais. Doem sob o peso do destino e não criam história.
IV
Iago, nesses tempos de agora em Othelo a honra seria toda tua.
V
Pela janela do ônibus enormes pipocas no céu. Vai chover forte. O camelo passa voando para se abrigar sob a barba de Dom Quixote.
VI
E se você me olhasse com o lhar do modelo do out-door? Eu morreria .
VII
O professor fala de assemblage. A aluna observa o verniz sobre suas unhas. Tudo é arte.
VIII
A voz dos anjos soa débil como os sinos das bóias em alto-mar.
IX
O que dá azar não é quebrar espelhos. É mirar-se nos cacos.
X
Pegue sua almofada.
Afofe-a.
Vire a etiqueta para trás.
Sente-se nela.
Gire seu corpo trazendo a almofada consigo.
Olhe para a parede a 45º .
Olhos semi-abertos.
Ponta da língua no palato.
Como num video-clip ao som de Moby ou Phillip Glass, deixe-se passar, como nuvens, como nuvens, como nuvens.
Monica Martins 2005