Os acordes do violoncello
Enroscam-se na fumaça do cigarro.
O brinco de pérolas ao lado do cinzeiro.
O sol força a nuvem
Clareia a sala, a alma, a vida.
Corremos perigo, disso bem sabemos
Então vamos guardar este segredo
Para ninguém, contemos.
Nem para nós mesmos
Porque se falarmos
A primeira a ouvir será a razão
E quando se fala de amor
O primeiro a ouvir deve ser o coração
Quando você me abraçar
E sentir uma imensa paz
Passar as mãos em meus cabelos
E meu rosto acariciar
Fica em silêncio, cala-te.
Ou fala do mar que é tão grande
E tão profundo
Quando descansar em seus braços
No repouso da paixão
Com os olhos marejados
Abrigada da solidão
Nada direi do que dentro de mim acontece
Mas das estrelas e dos vagalumes
Quando anoitece
Se dissermos o que sentimos
Um pro outro
Outro pro um
A razão tomará conta
E abrirá a caixa de Pandora
Espalhando o terror do medo de amar
Então vamos viver esse sentimento
Distraídos, assim assim.
Como se eu não te gostasse
Nem você de mim.