Registrosbasicos’s Blog

Março 6, 2009

English cup – ilustração momartins22

Arquivado em: inusitados, registros básicos — registrosbasicos @ 10:19 pm
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Imagino a estória daquela xícara cor de gemada com mais 10% de magenta.Que mão pintou sua borda preta, fina linha onde apóio meus lábios para tomar um café. Frio. Tão frio quanto o pigmento aplicado em sua superfície externa.

Inglaterra década de 30. Não seguiu o padrão “chintz” tão elegante na época.Talvez fosse em sua origem apenas “inglesa”, apenas amarela com uma linha negraem sua borda. Assim. Simples. E o lote à espera de um comprador, já que ninguém queria só amarelo, só uma linha. Só. As pessoas queriam chintz para combinar com o papel de parede de sua sala de visitas, com o abat-jour em tecido floral com pregas na sua orla, e com o quadro de um pato branco na parede. One White duck on your wall.Isn´t it Just too damn real? Já cantou Ian Anderson na década de setenta. Então, muito bem embalados, lotes da série seguiram de navio para o Porto de Santos. De lá, seguindo a rota Anchieta, foi descarregada no Mappin.Mãos delicadas e precisas, não necessariamente femininas, aninharam uma amostra do conjunto na vitrine com o preço ao lado. Novidade da época, etiqueta de preço ao lado do produto.

“Cerâmica Inglêsa”.
I N G L E S A era termo suficiente para elevar aquela simples xícara e o que a acompanhava: pires, prato de sobremesa, bule de chá, bule de café, bule para o leite e açucareiro, a um padrão de objeto de desejo, pelo qual se sacrificaria cada centavo para sua aquisição. Cerâmica Inglesa no Mappin, e ainda amarela com um fio preto na borda. Irresistible. Absolumment nécessaire.

Resolveram se casar. Seguiu-se os convites. Suas relaçõe eram variadas, gostavam de todos, mas o coração da noiva e de sua mãe batiam forte quando um convidado enviava um presente embalado pelo Mappin. Gostavam de todos mas gostavam mais da embalagem do Mappin. Estes eram colocados em destaque na sala do pequeno sobrado geminado. Cuidadosamente aberta a caixa revela, elegantemente arranjados, o conjunto de chá e café inglês. Amarelo! Com uma tira preta! Temos de nos habituar a essa cores modernas, é melhor que o brancomesmo, tão comum, tão banal. Ah esses ingleses , são fantásticos, fundaram Calcutá e hoje tem todo o continente, comenta o pai da noiva orgulhoso enquanto segura desajeitado a xícara leve, sob a crítica de sua mulher: cuidado pra não quebrar, você não está acostumado com essas coisa, seu bruto.

Desnecessário descrever, sob a tensão do clima do casamento, a discussão que aconteceu, com choros, e resmungos portas a bater e a moça a observar o que a aguardava, depois que se despisse do vestido de noiva. Depois que o príncipe virasse sapo e ela passase suas tardes a costurar para ajudar nas finanças da casa, com o barrigão contra a mesa da máquina a pedal.

Ceramica Inglesa.

Nasce a criança. Primogênito. Alegria na família. Orgulho do pai. Xodó dos avós. Mal sabia que carregaria o dever do mais velho por toda sua vida. O provedor, o responsável o exemplo, o rei. Ufa! Apenas um bebê que se viu perdido naquele mundo de ar, sem limites, sem a água morna a lhe embalar no nhém nhém nhém da Singer, mal nascia e já tinha etiqueta com instruções, como na vitrine do Mappin.

english-cup_web

Foi essa criança quem me ofereceu café frio na xícara inglesa, não sem antes ressaltar: é inglesa, de família, como se eu não fosse acostumada com essas bobagens vazias, típicas de família quatrocentona falida que perde tudo mas não dispensa o choffeur, ou de parvenus da roça que criam seu perfil buscando instruções em magazines da moda. Lí num livro que….vi numa revista que… (Viva Guttemberg).

É essa criança que, ainda sem perceber, segue as instruções da etiqueta que recebeu ao nascer.

ilustração: momartins22

Fevereiro 17, 2009

blue

Arquivado em: registros básicos — registrosbasicos @ 1:41 am
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A Lua entrou na sétima casa
Sem bater
Foi entrando assim
Tapete de luz no chão duro
Iluminou a gota que descia
Pela face
Reluziu o vidro na moldura
Foto azul
Lua azul
Mar azul
Blue
Os astros tramam
Nova teia na roda da vida
De grau em grau
A cada dia

A lua me distrai
Com sombra chinesa
Das folhas da palmeira
Sobre o papel.
Azul.
astromap

farfalla

Arquivado em: letras de música, registros básicos — registrosbasicos @ 1:16 am

Farfalla

Sua voz falta quando mais preciso
De um som
Um tom
Um duetto

Desnorteio nesse teu silencio

Como a borboleta
que voa reticências
Assim é a ausência de tua fala

Completada no beijo macio
No abraço completo
Gesto repleto de paixão

Onda imensa
Que sem perguntar
vem, cobre, molha, inunda, envolve, afoga, afaga
tudo envolve
E vai embora
Deixando na areia
Lâminas de espuma branca
Que refletem reticências do trajeto da borboleta
Amarela.

Janeiro 8, 2009

Sinastria

Arquivado em: letras de música, registros básicos — registrosbasicos @ 3:42 pm

Você nunca chega só
A saudade vem junto
Você já partiu mas esqueceu-se de
Levá-la embora
E aqui a meu lado
Cúmplice invisível
Recordamos, a saudade e eu,
O macio de seu abraço
A dança de nosso compasso
Desenhada a traço
Na roda da sinastria
Carta de amantes
Somos e seremos pra sempre
o outro, a outra
unidos para sempre
apenas na linha efêmera de uma canção

Janeiro 4, 2009

vento solar

Arquivado em: letras de música, registros básicos — registrosbasicos @ 12:59 pm

É lá no fim
bem no fim do mundo que nos encontramos
Lá,
onde a realidade se dissolve
as horas se omitem
as palavras se apagam
incompetentes na expressão
Lá no fim do mundo,
Na sombra da Lua
Nos deitamos sob as estrelas
Protegidos pelos deuses
Nos amamos ao som do vento solar
Amor além da voz
Além do corpo, além da alma

caixa de pandora

Arquivado em: letras de música, registros básicos — registrosbasicos @ 3:10 am
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Os acordes do violoncello
Enroscam-se na fumaça do cigarro.
O brinco de pérolas ao lado do cinzeiro.
O sol força a nuvem
Clareia a sala, a alma, a vida.

Corremos perigo, disso bem sabemos
Então vamos guardar este segredo
Para ninguém, contemos.
Nem para nós mesmos
Porque se falarmos
A primeira a ouvir será a razão
E quando se fala de amor
O primeiro a ouvir deve ser o coração

Quando você me abraçar
E sentir uma imensa paz
Passar as mãos em meus cabelos
E meu rosto acariciar
Fica em silêncio, cala-te.
Ou fala do mar que é tão grande
E tão profundo

Quando descansar em seus braços
No repouso da paixão
Com os olhos marejados
Abrigada da solidão
Nada direi do que dentro de mim acontece
Mas das estrelas e dos vagalumes
Quando anoitece

Se dissermos o que sentimos
Um pro outro
Outro pro um
A razão tomará conta
E abrirá a caixa de Pandora
Espalhando o terror do medo de amar

Então vamos viver esse sentimento
Distraídos, assim assim.
Como se eu não te gostasse
Nem você de mim.

Janeiro 1, 2009

diagonal

Arquivado em: letras de música, registros básicos — registrosbasicos @ 7:14 pm
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Diagonal

O mundo navegava em direção ao último por do sol
Ainda haviam nuvens rosadas contra o azul
Direção leste quando você chegou

Abri a porta
Abri meus braços
Nos acolhemos
Nos aninhamos como náufragos a salvo na rocha
Molhados do mar espuma e saliva
Nesse último abraço
Ùltimo laço
De um ciclo que passou.

Cometas ou pássaros
Quem somos nós?

Nossas almas riscam o céu noturno
Desfiando por instantes o imenso manto azul.
Sem indicar o rumo certo
Diagonal  brilhante e efêmera que
Apenas vista,  deixa saudades.

Dezembro 15, 2008

Heliporto

Arquivado em: concurso bossa nova — registrosbasicos @ 9:14 pm
Segunda-feira.
Greve de ônibus.
Hora do almoço.
A cidade, mais silenciosa parece um grande interior sem o mar para substituir o barulho dos carros.
Aqui não é Copacabana. Minhas ondas do mar são as memórias. Amorosas. Mergulho em cada uma delas.
Há uma (onda) inesquecível: você.
Tsunami.
Olho sobre os prédios, o horizonte geométrico contra o céu azul.
Desço o olhar.
O sol de outono que projeta sombras sobre o asfalto.
O abre e fecha, abre e fecha, abre e fecha ritmado, da sombra do arco das pernas de uma senhora que atravessa a rua.
Agora sua sombra se perde na da copa da árvore.
Pau-ferro.
Eu, na varanda do escritório, pensando nesta ausência.
Estamos mais distantes do que daqui a Estocolmo de bicicleta sem marcha.
Vem logo.
Aluga um vôo.Pousa no heliporto.
Vai!! Desce até o nono. (Não use as escadas, as portas corta-fogo lhe atrasariam demais). Entra furiosamente em  minha sala,
mesmo que esbarre no chefe.
Abraça-me. Cante em minha orelha esquerda , aquela das três pintinhas que você gosta:
“Não quero mais esse negócio de você viver sem mim.”

Toca meu ramal:
- “Arquimedes consultoria…”

Dezembro 14, 2008

mãos mudras

Arquivado em: registros básicos — registrosbasicos @ 10:00 pm

Mãos Mudas.
Mudras
Cala-se a boca.
Abre-se o coração.

Dez 2008

mudrafoto:basicregisters

superstição moderna

Arquivado em: letras de música — registrosbasicos @ 3:37 am

Chega dessa superstição moderna
De pensar o pior para que o pior não aconteça

Me amas , não me amas
E a flor ficou nua no não

Que você não apareça
Que não pegue minha mão

Boba superstição
Vou te mandar um torpedo

Daqui até Toledo
No Paraná ou na Espanha
Até na Argentina

Pra dizer que eu te amo
Quem sabe você desatina

Monica Martins 03 09 08

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